sábado, agosto 14, 2010

[De]

Mel que te escorre dos olhos,
numa ternura sem fim.
Menino pequeno, meu delfim,
que me entendes tão bem.

Mãos de anjo, corpo tentador,
pele macia, olhar perigoso,
sorriso tímido desconcertante,
voz que me embriaga de desejo.

Puxas-me para ti como sempre fazes,
dançando comigo em feixes de luz.
O teu corpo funde-se com o meu,
tudo em ti me estremece e seduz.


Por te querer assim sem entender,
a razão abandona-me o cérebro,
fico órfã de bom senso e sanidade,
por isso me fecho em casa (d)esperando..

mente

Corpo tremulo e decadente,
numa ausência forçada de sanidade.
Vagueia pelos cantos meio dormente
Lutando para afastar a realidade

Gotas de suor frio e quente
Escorrem pelas costas já doridas
Cadências em mil tons já esquecidas
Retornam à memória do ser carente

Vislumbra–se nesta sala o passado
De loucuras e desejos abafados
Sentindo no presente o esperado
Na valsa dos presentes envenenados

O cérebro explode e um frio desce
da cabeça até ao fundo das costas.
No corpo o desejo permanece,
firmeza em não seguir novas rotas