quarta-feira, dezembro 14, 2005

Entrega

Pouco me importa já
Senão agradar ao que de mim está perto
Pouco me importa se,
Aos que me rodeiam nada desperto

Pouco me interessa,
Já entendi o meu lugar.
Não me perco mais na espera
Sou objecto desintegrado do estar.

Neste momento não sei para onde vou
Nem tão pouco onde me sinto
Neste momento sei que parei
Neste momento tudo acabou

Porque devo eu continuar,
Lutando e acreditando nos demais
Se sou eu sempre a esperar
Vidrada em pequenos sinais

Vivendo mentiras sem fundamento
Mentiras de amor e dedicação
Estou sozinha mas comigo mesma
Estou sozinha procurando alento

Até posso ser doida
Até posso chorar demais
Não desisto do que sou
Não me entrego é por esmolas!!!

quinta-feira, dezembro 08, 2005

Remendos

Sabes amor eu tinha a certeza
Que te iria fazer feliz
Se ao menos te rendesses à beleza
Deixando cair o peso do passado

O depois, nem eu sei.
Não sei se quando o futuro chegar,
eu não me evaporarei,
tal qual uma promessa levada no ar

Remendo-me
Na insistência de não ver
Que talvez eu não saiba
O que quero ou irei ser

Em dores que me deixam gelada
No frio duma noite em silêncio
Habituada assim, fico calada
Tentando ouvir-me

Talvez seja complexo
E não haja sentido no caminho
Vendo assim o meu reflexo
Por um pedaço de carinho

Já não sei quem é
Nem tão pouco quem procuro
Talvez nesta inconstância de ser
Encontre alguém no meu escuro

Dói-me a separação
Dói-me teres de ir
Vou-me contendo assim
Para não viver em ilusão

segunda-feira, dezembro 05, 2005

Despida de tudo

Despi tudo sim,
Os medos que me deixam aterrorizada
As vontades que me deixam ansiosa

Despi-me sim,
Apenas para mim,
Tirei a mascara do passado
A capa do presente
Onde anda o meu futuro?

Arranquei à força
Sem medo do ridículo
Sem medo de descobrir
Despida de tudo

Renovo o meu grito
De desejar ser única e exclusiva
Fonte de vontades e força de viver
Não partilho confesso-me egoísta

Eu sei que é doloroso
A mim também me custou
Despida de tudo
Conto apenas com o que sou