segunda-feira, outubro 30, 2006

alguém que não chega

Num impedimento quase infantil,
sinto-me cada vez mais só.
Nas dores invisiveis da alma
entro em estado febril.

Este estado deixa-me doente.
é solidão o aperto no peito.
A procura de algo que nunca mais encontro,
na ansiedade de me sentir preenchida.

A vontade de não parar.
O corpo que teima em dormir.
O desejo adiado.
Esta situação de ter e não ter.

Sou injusta e egoista,
muitos existem e piores que eu estão.
Mas sei que me abandonaria
se nos braços desse alguem conforto encontrasse.

As dores da alma trespassam-me.
O corpo definha sentindo-se fraco.
O estomago enrola-se .
As mãos tremem.

O medo da noite.
O medo de mim.
A impossibilidade de tudo.
O vazio do nada.

Que amor é este afinal?
Que não ultrapassa os seus limites…
Que amor é este afinal?
Que encontra impedimentos rotineiros…

Amar sem quebrar barreiras, é amar?
Amar de coração aberto, não é arriscar?
Amar para alem de nós mesmos, não é lutar?
Amar numa união harmoniosa, não é dar tudo?

Erro eu sei,
desejo dos outros o que eu consigo dar.
Sofro e assim,
a alma perde a força o corpo a vontade..

Não estou bem.
Sinto-me à deriva.
Já o disse e avisei.
A qualquer momento posso ancorar noutro porto!!!

domingo, outubro 29, 2006

heaven where true love goes

eu sinto-me especial
talvez seja um exercico de narcisimo
eu sinto-me um comum mortal
talvez seja a minha forma de sentir

eu sinto-me triste,
quando vejo a escuridão do mundo
eu sinto-me feliz quando vejo
o amor que tenho para dar

eu sei que as ondas do mar
um dia me levarão deste lugar
nesse momento alguém irá chorar
e eu o mundo inteiro irei abraçar

não me sinto forçada a nada
apenas a verdade me alimenta
não estou presa a ninguém
apenas à energia univeral
o verdadeiro alimento do mundo

mesmo não entendendo os sinais
mesmo não compreendendo as minhas lagrimas
sinto saudades de algo que desconheço
saudades do teu abraço carinhoso

quarta-feira, outubro 25, 2006

ensaio ( estou a acordar )

Duas e meia da tarde, lá fora fazia um calor insuportável, mas mesmo assim ela foi à rua. Não aguentava mais estar em casa, o cheiro estava impregnado nas paredes. Na noite passada tinha deixado queimar o tacho onde aquecia normalmente o leite. Andava distraída. Coitado dele não aguentou os maus-tratos e foi parar ao lixo. Já lhe tinha sucedido isso noutra época, mas tinha sido com a sopa. Andava distraída, sentia saudades de qualquer coisa. Não se atrevia a dizer a ninguém que passava horas seguidas sentada procurando mensagens dentro do seu cérebro, elas já não vinham no telemóvel!!!
O tempo era sem duvida o seu maior mestre, dois anos depois de ter saído do cativeiro estava tão livre que o seu cérebro parecia vaguear a mil. Sorvia quantidades de informação como se fosse dependente de estímulos. Qualquer coisa lhe servia, desde que fosse emocional e intelectualmente estimulante. Era complicado organizar tanta energia tanta vontade e querer.

terça-feira, outubro 24, 2006

miragem

Olhos postos no fim
Olhos postos em mim
Olhos postos e cansados
Olhos postos e saudosos

Mãos trémulas
Mãos simples e de trabalho
Mãos carentes e ausentes
Mãos que procuram calor

Boca exausta
Boca em alerta
Boca disperta
Boca incerta

Alma na tua mão
Alma suspensa
Alma intensa
Alma mergulhada no espirito

Quem és tu ?
Que quero eu ?
Que som é este ?
Dá me lume

segunda-feira, outubro 16, 2006

alto mar

Hoje estou meio a pairar
Estou meio a andar
Meio a sonhar
Meio a planar

Hoje estou meio por aqui
Meio a caminhar para ali
Meio a pensar em ti
Meio a pensar em mim

Meio porque tudo já doi
Meio porque o todo já custa
Meio porque é mehor que nada
Meio porque me vejo isolada

Hoje estou meio assim
Assim porque não sei fazer melhor
Porque o tudo não vale a pena
A meio porque é melhor ficar parada

Espero que a meio não me levante
A meio não sinta tempestade
A meio o barco não naufrague
A meio noutro porto eu encoste

Sabes que eu ando a meio
E sabes que a meio eu não sei
Sabes que eu quero atracar
Sabes que continuo a navegar..

Não me deixes naufragar
Eu que tanto quero serenar…

domingo, outubro 15, 2006

um futuro de saudade

Saudosa e não mais reciosa
Do futuro nem do passado
Sabendo que nada será deixado
Por dizer ou por fazer

Vagueio numa tempestade de emoções
Sem planos nem metodos
Amo a cada momento consciente
Que o relogio não espera por mim

Serei injusta ou mesmo ingrata
Talvez não sei, mas o amor faz de mim
Ser inconstante em procura incessante
Alma que vagueia sem rota ou destino

Sugeito errante carente de atenção
Talvez mais que a normalidade aceite
Procuro para mim a emoção
Que me deixe em pleno deleite

Carente mas não demente
Não gosto de intervalos programados
Detesto rotinas
Adoro voar…

quarta-feira, outubro 11, 2006

observo

Observo duma forma critica o que me rodeia:

Não ligamos ao que comemos.
Acumulamos aparelhos e afundamo-nos em créditos para as pagar.
Porque temos que trabalhar, não passamos tempo de qualidade com os nossos filhos.
Chegamos ao fim do dia e não temos vontade de fazer amor.
O dinheiro não chega e a cabeça estoira.
Queremos sempre mais e não tomamos conta da nossa alma.
Pensamos ser uma soma de valores e não uma soma de sentimentos.
Não confiamos em ninguém
Não conseguimos sorrir

Afinal o que se passa aqui?
Que vida é esta que vivemos?

Estou num momento em que optei por me libertar dos bens materiais, garantindo apenas a vida da única pessoa que depende de mim. Para mim quero:

Um prato de vegetais
O sorriso do meu filho
Uma tarde de amor com ele
Uma manha no mercado com ele
A saude dos que me rodeiam
Um vestido para apanhar Sol
Um sabonete para me lavar
Uma cama para me deitar
Uma vida simples
Muito amor para dar
Vontade de ajudar