quarta-feira, maio 02, 2007

[ ]

Não é justo nem está certo.
Mas a vida é mesmo isto,
sequências de tentativas falhadas.
Um dar tudo sem nada esperar

Não quero que me passes a mão pela cabeça,
olhando-me com pena ou piedade.
Se a dor me rasgar o ventre,
sei que tentei sempre viver em verdade.

Olho o que me rodeia sem desejar sentir,
o desdém de quem me aparece fantasiado.
Tal qual uma ilusão num deserto,
vou deitar a água fora.

Árvores rasgam o solo.
Ventos de tempestade arrasam .
A existência dói e os sonhos não imperam.
Mas fica a doçura de ser eu,
atenta ao coração de quem sofre.

Sabes que hoje estou mais forte.
Já chorei o inimaginável.
Sinto um sabor amargo
Até.

domingo, abril 29, 2007

A tua criança [és tu ]

Desejei aparecer no pior dia
Onde as forças me faltavam
E o corpo não me obedecia
Onde tudo em mim enfraquecia

Bebendo água de fonte escondida
Escrevi em caneta invisível
A história que ninguém se atreve
E cujo fim comando.

Porque tu, embora me olhes frágil
Sou feita de matéria intemporal
Talhada única e universal
Vivo em cada segundo que te escondes

Tu que te encolhes e te expandes
Tal qual estrela em espaço distante
Anseias o toque de alma
Aquele que te serene e acalma

Não vale a pena falar
Os momentos estão nas tuas mãos
As tintas são tuas
A vida é minha

Assim estou aqui
No meio da água da vida
Entre ventos de esperança
Esperando tomar conta da tua criança....

terça-feira, abril 17, 2007

A[ssim]

Uma vida de luta,
de lágrimas, de punhos cerrados.
Uma vida a sorrir,
de insanidades, de olhar atento.

Uma vida de vento,
de mar em dia de tempestade.
Uma vida a escutar,
o som dos teus passos.

Um turbilhão de emoções,
de raiva por não alcançar.
Um cofre selado em si mesmo.
Uma chave deitada ao mar.

Um momento numa vida.
Uma vida perdida vezes sem conta.
Um concerto certamente incerto.
Mil melodias sentidas pelo coração.

Queira Deus que assim seja.
Se assim O desejar que aconteça,
um futuro que em mim irei,
prender às asas do vento,
ouvindo – o nas ondas do mar.

sexta-feira, abril 06, 2007

Fluir

Nesta madrugada longínqua,
onde as insónias me visitam novamente,
outros pensamentos tomam de assalto,
palco já pensado abandonado.
Maravilhosa...

Nesta madrugada fria,
o passado já não dói.
O presente está assombrado,
pela inércia dos actores principais.
Alvorada...

Nesta madrugada fresca,
janelas abertas deixam passar,
ar novo que cheira a mudança,
que sei ser meu destino viver.
Rendo-me...

Nesta madrugada meiga,
absorvo a doçura que me envolve,
sentindo a vontade de algo maior,
que me faça abandonar a apatia.
Complemente...

Nesta madrugada só minha,
quero estar assim sozinha,
exercicío de quem se cansou,
puro egoísmo talvez.
Ouvindo-te....

Nesta madrugada presente,
não sinto mágoa de estar por aqui,
estou em paz, serena.
Pronta para recomeçar,
convicta que mereço mais,
arrumo o meu coração,
para finalmente ser amada como eu sei amar...

Parei de chorar...

sábado, março 31, 2007

samora de desejo

Pinta-me
Recorta-me
Descobre-me
Calcula-me
Incomoda-me
Mas vem...

Tenho as mãos geladas
As costas quentes
O coração inquieto
Os carros cruzam-se
Eu vou...

Une
Reparte
Decompõem
Imagina
Mas faz...

Tenho a boca seca
A cinza espalha-se
O medo aumenta
Os olhos acordam
Eu faço...

Abre
Encerra
Humedece
Transparece
Transpira
Mas sente...

Tenho o tempo parado
Num minuto revisitado,
vontade simples de ser feliz
Errar é estar
Preciso de ar
Preciso de te viver...

quarta-feira, março 28, 2007

vazio...

No fim de tudo,
fica o princípio de algo.
Fica um todo de nada,
Um instante de ti...

No rio de águas paradas,
Águas sujas e cansadas
Amores, desencontros
Não encontro o caminho...

Estou sem bússola
Estou sem norte
Estou sem vida
Não encontro o meu destino...

Nas gavetas revoltas
Um mar de emoções recalcado
Barcos sem porto
Despojos em mar morto...

Enterro-me, esqueço-me
Tenho medo da revolta
Não existe ninguém para mim
Não existe ninguém assim....

Porque na solidão,
Não existe correcção
Entra ou abandona o barco
Enterra-me esquece-me!!!

Continuando na mesma, vontade de chorar...

sexta-feira, março 23, 2007

Chan Chan Anttónio....

Tenho um nó na garganta
Uma dor que custa a passar
Uma vontade que a todos espanta
Um desejo de tudo recomeçar

Apetece-me companhia
Companhia daquela presente
Companhia de flores e champanhe
De mãos dadas a dormir

Tenho um aperto no peito
Pensamentos que atormentam o meu ser
Um caminho de percurso estreito
Fantasmas que assombram o meu viver

Apetece-me conversa a ver o rio
Terminar falando tudo até ao fim
Segurar tua cara entre as minhas mãos
Parece que somos irmãos

Tenho e não tenho nada
Tenho as mãos vazias, gretadas
Tenho um grito em alma cansada
Tenho horas de nada esperadas

Tenho o corpo cansado
Tenho o sorriso gasto
Tenho e não tenho nada
Estou a cair
Só !!!

Não estou bem, preciso de chorar...